Nono Capítulo – A Espiritualidade Conjugal
Continuando a refletir sobre o sacramento, é oportuno dizer alguma coisa sobre o sinal sensível e eficaz do matrimônio. O “sim” formal, dito na solenidade litúrgica, tem ampla abrangência; inclui todos os gestos, atos e palavras que reiteram o amor declarado explicitamente pelos noivos.
Continuando a refletir sobre o sacramento, é oportuno dizer alguma coisa sobre o sinal sensível e eficaz do matrimônio. O “sim” formal, dito na solenidade litúrgica, tem ampla abrangência; inclui todos os gestos, atos e palavras que reiteram o amor declarado explicitamente pelos noivos.
Ainda no Tema 13 (Dezembro, dia 30/2016), vimos que o sacramento do matrimônio é permanente. Em termos teológicos, ele age “ex opere operato”. Literalmente, significa que o sacramento realiza-se “a partir da ação realizada”, isto é, independentemente de quem realiza a ação, do mérito ou demérito de quem atua para que o sinal se faça presente. Em outras palavras, significa que Deus assumiu o compromisso, deu sua palavra porque, uma vez colocado o sinal, a força divina atuará sem depender do mérito ou da santidade de quem ministra o sacramento.
Por tudo o que viemos analisando, podemos tirar uma conclusão importante. Se o sacramento do matrimônio é a “fonte própria e o meio original de santificação dos cônjuges” (FC 56); se a especificidade essencial do casamento é o amor que une marido e mulher; se esse amor que se constitui no sinal próprio do sacramento e se, por outro lado, toda vez que o sinal é colocado o sacramento atua, conclui-se - repetindo o casal autor – que praticar a espiritualidade consiste em viver a ação sacramental, isto é, fazer atuar o sacramento pelos gestos, palavras e atos próprios do amor natural que os une.
A Familiaris Consortio (FC 56) afirma que os cônjuges possuem um meio original de santificação. Original por vários motivos. Citemos alguns deles: por ser distinto de outros meios de vivência cristã; porque só os casados podem praticá-lo; porque não é acessível aos monges, freiras e celibatários, porque não imita nem processa “colar” práticas piedosas adotadas por solteiros e religiosos, porque deriva e brota “das realidades concretas próprias da existência conjugal e familiar” (FC 56, 59, 55), porque não deixa de ser um ramo novo e recente dessa árvore frondosa que é a espiritualidade cristã.
Finalmente, um aspecto pouco considerado. O matrimônio é o estilo de vida em que vive a maior parte dos homens – observa Jacques Leclerq. Jesus viu nele o estado em que se deve santificar a maioria dos homens. Por isso, o Espírito Santo suscitou na Igreja de Deus o aparecimento da espiritualidade conjugal que, no dizer do mesmo Leclerq, é um movimento de tal grau que nenhum outro “permite assegurar para a Igreja dias mais benditos”.
Provavelmente, a maior dificuldade na vivência da espiritualidade conjugal seja o preconceito que temos de considerar como “espirituais” apenas os atos piedosos, com um toque devocional, praticados principalmente no interior de uma igreja, de um convento, olhando, de preferência, para um sacrário ou para uma imagem. Como, então, considerar atos puramente materiais e até mesmo chamados de “profanos” como sinais sacramentais, como diz o casal autor (p. 105)?
A verdade, entretanto, segundo a doutrina da Igreja é que “a espiritualidade conjugal está vinculada aos atos e ações naturais próprias da vida do casal” (Familiaris Consortio). Ficam, então, as indagações do casal autor: não será essa a “nova espiritualidade” reclamada por João Paulo II no discurso dos carmelitas? Não é essa a espiritualidade apropriada para a imensa maioria do povo cristão? Essa mesma que, talvez até sem saber, foi chamada à santidade pelo caminho favorecido pelo sacramento matrimonial, lamentavelmente tão pouco conhecido?
Encerramos o tema enfatizando um aspecto não menos importante da espiritualidade, como é a abertura aos outros da própria felicidade. O amor conjugal deve seguir, em consequência, a dinâmica do amor divino, na ajuda aos demais, participando do esforço pelas famílias injustiçadas, marginalizadas e destituídas de condições mínimas de sobrevivência (FC 42).
Agradecendo a Nossa Senhora sua proteção, sempre lembrando que “... sem mim nada podeis”. (Jo 15,5)
Idalina e Fernando
Equipe de Nossa Senhora do Monte Serrat
Santos/SP
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