COMPROMISSOS DO SETOR

terça-feira, 14 de março de 2017

TEMA 17 - AMOR CONJUGAL – Algumas reflexões (Continuação)

Nono Capítulo – A Espiritualidade Conjugal
Neste tema é apresentado um resumo de tudo o que foi exposto anteriormente, de particular interesse para o casal cristão, formado por uma mulher e por um homem revestidos pelo sacramento do matrimônio.
O Concílio Tridentino declarou como finalidade do sacramento fazer crescer o amor natural, conjugal. O Vaticano II (FC 13) diz que o primeiro efeito do sacramento não é a graça sobrenatural, o que anula qualquer “odor de santidade” ou pretenso “ato piedoso”, mas vai permitir que o amor dos dois se torne sempre mais forte e intenso, mais unificante e feliz.
O sacramento permanece vivo e atuante durante toda a vida do casal, gerando sempre suas graças a cada prova de afeição, amizade e paixão. A santidade do casal existe em função direta do crescimento do amor que une os dois (LG 35/89; GS 48/351).
É no recesso do lar, na conversação alegre ou séria, no esforço do trabalho ou na alegria de um passeio, na superação dos desencontros ou no encantamento dos encontros, na mesa festiva ou no gozo extasiante do leito conjugal que os casados vivem e praticam sua espiritualidade.
Depois de relembrar as mais variadas situações da vida de um casal, chega-se ao mais emblemático dos exemplos: a cama do casal – altar conjugal – que o sacramento encontra o momento de sua máxima densidade sacramental, como proclamou a Conferência Episcopal da América Latina (CELAM) e repete o casal autor (p. 96).
E, segundo João Paulo II, apenas o corpo é capaz de tornar visível aquilo que é invisível, espiritual e divino. Assim prosseguindo, acaba com inusitado pensamento: “Todos os sacramentos da Nova Aliança encontram, em certo sentido, no matrimônio, enquanto sacramento primordial, seu protótipo.”
Compreendemos essa reflexão ao nos lembrar que o amor conjugal é assumido pelo amor divino, como ensinou o Vaticano II (GS 48/451). E assume essa feição primordial porque não dura o tempo de uma liturgia, mas se prolonga pelo cotidiano da vida do casal, dentro das realidades típicas em que os dois vivem, animados e, tantas vezes, empolgados pelo amor que os une, como comenta o casal autor (p. 97).
Todos esses aspectos podem ser compreendidos se vistos através da fé. Só o dom da fé permite enxergar realidades muito ricas e profundas – divinas – mais do que aquelas exibidas apenas pelas aparências. Aliás, sem a visão da fé, nenhum sacramento tem sentido.
Lembramo-nos, nesta oportunidade, das palavras de Jean Guitton (op 04): “O que eu temo é uma diminuição da fé. Ainda bem que a Igreja não se apóia em outra coisa senão na fé. Sem a fé, a caridade não é senão fraternidade humana. Que seriam os sacramentos sem a fé? Símbolos mágicos. Em que se converteria a oração sem a fé? Em uma palavra vã. Que é a liturgia sem a fé? Teatro sacro. E a confissão? Psicanálise. O catecismo? Um código de moral e de coisas absurdas. O Evangelho? Um mito venerável. Que seria o ecumenismo? Uma comédia piedosa, porque não há unidade sem uma fé comum. E sem a fé... a morte seria apenas a morte.”
O matrimônio é um sacramento permanente, toda vez que o sim amoroso é reiterado, ou por palavra, gestos ou atos, o sacramento opera, gerando as graças capazes de fazer o amor dos dois crescer. São reflexões propostas pelo próprio magistério (FC 56):
O sacramento do matrimônio é a fonte própria e o meio original de santificação dos cônjuges... traduzida concretamente nas realidades próprias da existência conjugal... Nasce aqui a graça de uma autêntica e profunda espiritualidade conjugal... de viver no cotidiano a santificação que, pelo sacramento, transforma a vida conjugal em um contínuo sacrifício espiritual.
Vê-se, portanto, que a espiritualidade conjugal é própria do casal e não é, de forma alguma, a soma de duas espiritualidades – a minha mais a do outro. Ela, porém, não é excludente, isto é, a espiritualidade de quem é casado não exclui, absolutamente, a espiritualidade pessoal de cada um dos cônjuges individualmente considerados.
Procurando esclarecer com mais exemplos. Rezar junto o terço ou assistir missa juntos não constituem práticas essenciais da espiritualidade conjugal, embora elogiosos exercícios de piedade. Conforme vimos anteriormente, o Pe. Caffarel assim se manifestou:
“Oração, caridade, abnegação, pobreza, castidade, apostolado (...) estas virtudes não são vividas por cristãos casados da mesma maneira que pelos monges.”
Ainda nessa linha de raciocínio, temos o esclarecimento do Cardeal Dionísio Tettamanzi, arcebispo de Milão, de que a espiritualidade conjugal não é sinônimo de interioridade, no sentido de se manifestar mediante apenas como “coisas do espírito”, ou de manifestações interiores do que se passa na alma, com exclusão de tudo o que se passa no corpo.
É de fundamental importância ter sempre presente que a espiritualidade conjugal está diretamente vinculada aos atos e ações que caracterizam a vida conjugal. Repetindo João Paulo II: “a fonte própria e o meio original de santificação dos cônjuges é o sacramento do matrimônio”.
Em outra passagem, diz o Cardeal Tettamanzi: “o specificum (aquilo que é peculiar, característico, exclusivo) do matrimônio determina o specificum da espiritualidade conjugal”. O Concílio Tridentino (ver Tema 13-Dezembro 15/2016) dispôs que a finalidade do sacramento é:
Aperfeiçoar o amor natural
(...)
Santificar os cônjuges
Assim sendo, se o específico do sacramento é “fazer crescer” o amor de marido e mulher, o específico de nossa espiritualidade é o casal buscar a santidade pelo crescimento do amor.
Continua no Tema 18 - Fevereiro (Dia 28) / 2017
Agradecendo a Nossa Senhora sua proteção, sempre lembrando que “... sem mim nada podeis”. (Jo 15,5)
Idalina e Fernando
Equipe de Nossa Senhora do Monte Serrat
Santos/SP

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