COMPROMISSOS DO SETOR

domingo, 18 de dezembro de 2016

TEMA 13 – Dezembro / 2016 AMOR CONJUGAL – Algumas reflexões (Continuação)


Quinto Capítulo – O Matrimônio na visão do Vaticano II

1.     Vínculo conjugal: Efeito primeiro da graça sacramental
Vimos no tema anterior que o casamento, a mais natural das instituições humanas, foi elevada à condição de sacramento, isto é, de caminho preferencial da graça. Neste quinto tema, vamos ver como isto se realiza.
Dentre outros ensinamentos, recordamos o do cardeal Tettamanzi, que, ao se referir ao elemento essencial, aquele que faz com que a união do homem com a mulher seja um sacramento, “é tão somente o amor conjugal”.
Novidade? Não o é. Lá no Concílio de Trento, realizado de 1545 a 1563, já foi proclamada essa verdade. Resumidamente:
Aperfeiçoar o amor natural.
Confirmar a unidade indissolúvel.
Santificar os cônjuges.
(O grifo é dos autores).
Assim também ensinou o Papa Paulo VI que o vínculo conjugal possui “as características normais do amor conjugal natural”. E o que é esse amor natural? O casal autor foi muito feliz ao defini-lo como “aquele que leva um homem a unir-se a uma mulher e ela a ele, sejam eles católicos, budistas ou até mesmo ateus. É aquele que surge porque ele é macho e fêmea. É aquele que envolve completamente os dois, deitando suas raízes no somático e no psíquico, no erótico e no afetivo, no sensível e no intelectivo, em suma, nas profundezas do ser de um e do outro, como o Gênesis já declarara: “os dois serão uma só carne”.
São João Paulo II, ainda quando cardeal, teve oportunidade de dizer que não paira dúvida alguma que o efeito primeiro do sacramento, aquele que vem à frente de qualquer outro, que atua de forma direta e imediata, sem necessidade de mais nada para alcançar o objetivo previsto pelos ensinamentos do magistério: o aprimoramento e o crescimento do amor que une os esposos. É como se estivesse dizendo que o vínculo conjugal é a semente primeira do processo, e ela é o início de tudo.       
            Então perguntamos: O ensino da Igreja mudou? Ou melhor, o ensinamento transmitido pelos teólogos e pregadores mudou? Ou será que saímos de um longo período de asfixia da boa doutrina?
E, de fato, a doutrina tridentina foi esquecida. Seguindo o Vaticano II, o Papa Paulo VI, em discurso aos membros das Equipes de Nossa Senhora que os visitara, proclamou:
A dualidade dos sexos foi querida por Deus para que homem e mulher fossem imagem de Deus, pois não há amor conjugal que não seja, no momento de sua exultação, um impulso para o infinito.

2.     Visão sacramental
A Conferência Episcopal Latino-Americana (CELAM), em suas sugestões enviadas ao Sínodo sobre a Família, declarou que o encontro sexual é o momento de máxima densidade sacramental. Significa, como diz o casal autor (p. 62), que essa entrega mútua total é o momento, por excelência, da eficácia da graça divina, levando o casal à realização do desígnio divino de “serem uma só carne”, um só corpo, uma só pessoa.

3.     Sacramento permanente
Sob este título, vamos destacar uma diferença essencial entre o sacramento do matrimônio e os demais: a permanência. Não se esgota com a realização da cerimônia, mas permanece pela vida inteira. Repetindo o pensamento do Pe. José Comblin:
“Há uma diferença importante entre o matrimônio e os demais sacramentos. Os demais são momentos breves, o tempo de uma liturgia. Pelo contrário, o que faz o sacramento não é a cerimônia, mas a vida conjugal. Portanto, é um sacramento que dura não o espaço de uma liturgia, e sim a vida inteira. De certo modo, pelo sacramento do amor, a vida inteira torna-se um sacramento.”
O casal autor (p. 63) insiste muito na vivência do sacramento. Será que nós, cristãos casados, temos consciência da vitalidade espiritual de nosso amor, vitalidade que se manifesta nos gestos de carinho, afeição, ardor, paixão, entrega que gravam nossa existência?
Interessante é que esses aspectos da vida conjugal já foram constatados há muito tempo (séculos), mas ficaram depois esquecidos. Assim, um dos maiores Padres da Igreja, São João Crisóstomo, reconheceu a profundidade e o valor da vivência do casal aos olhos de Deus e chegou a dizer que “a vocação no casamento não fica nada a dever à religiosa”.
E como o sacramento permanece? Justamente pelos atos próprios do matrimônio, que são assim sinais sensíveis e eficazes (pede-se ver definição de sacramento) que, pelos méritos de Cristo, conferem a graça. São, pois, atos sacramentais.
São aspectos da vida conjugal de maior importância para todos nós - como diz o casal autor (p. 66) – que buscamos, na espiritualidade própria do casamento, o caminho da santidade, dispensando ou exigindo coisas extraordinárias e exageradas mortificações, que deram fama a tantos santos.
            Agradecendo a Nossa Senhora sua proteção, sempre lembrando que “... sem mim nada podeis”. (Jo 15,5)

Idalina e Fernando
Equipe de Nossa Senhora do Monte Serrat

Santos/SP

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