Sexto Capítulo – Uma Nova Espiritualidade
Por
ocasião do V centenário da Evangelização da América, ao receber os superiores
maiores das várias ordens carmelitas, masculinas e femininas, o Papa João Paulo
II afirmou um alerta importante, não apenas surpreendente, mas também de
profundo alcance:
“No mundo inteiro
existe uma enorme necessidade e um forte desejo de uma nova espiritualidade. Os sinais tradicionais da presença de Deus já
não conseguem comunicar sua mensagem. O desafio é este.” (L’Observatore Romano, n. 44, 1/11/1992,
p. 4 [540])
Essa declaração está alicerçada em estatísticas
promovidas pelos órgãos da mais indiscutível seriedade, reveladoras de
pronunciado esvaziamento dos católicos, praticantes ou não, em benefício de
outras comunidades cristãs.
Será que não ansiavam por uma espiritualidade mais
concordante com a vida concreta, menos abstrata, mais dinâmica, menos
artificial, mais existencial, menos clerical, mais adequada à maneira de viver
do povo comum, menos cheias de práticas, regras e devoções, divorciadas da
realidade vivencial dos problemas do dia a dia? Uma espiritualidade nova, mais
viva daquela em que foram educados, como diz o casal autor (p. 70)?
O carismático fundador do nosso Movimento, o Pe. Henri
Caffarel, já dizia:
“É desastroso que
se acredite que existam duas categorias de cristãos: uns, os religiosos e
sacerdotes, chamados à perfeição, e os outros, casados, aos quais só se pede
que levem uma vida assim chamada de honesta.”
Como lembra o Pe. Caffarel, “todos nós fomos formados em
uma espiritualidade monacal e de celibatários”, o que certamente levou muita
gente a “julgar que a espiritualidade dos
casados consiste em acrescentar na vida do casal certos elementos ou práticas
religiosas, mais ou menos presentes na tradição da Igreja”, como pondera
Frei Almir Guimarães, OFM, acostumado há muitos anos a trabalhar com casais.
Essas práticas, devoções, rezas, atos, por mais piedosos
que sejam, não levam em consideração, entretanto, esta realidade nova, sacramentada, o casal. É evidente, além
do mais, que a desejada “espiritualidade nova” considere o estado de vida da
maior parte do povo fiel, que, ao invés de optar pelo estilo de vida religioso,
sentiu que sua vocação era receber o sacramento do matrimônio.
“A Revelação
cristã conhece dois modos de realizar a vocação da pessoa humana em sua entrega
total ao amor: o matrimônio e a virgindade, como dispôs a ‘Familiaris Consortio’” (FC 11).
A “Gaudium et Spes”,
do Vaticano II, declara expressamente:
“São como que
consagrados, por um sacramento especial, ao estilo de vida que lhes é próprio,
aquele que decorre do casamento” (GS 48/351).
Agradecendo a Nossa Senhora sua
proteção, sempre lembrando que “... sem
mim nada podeis”. (Jo 15,5)
Idalina e Fernando
Equipe de Nossa Senhora do Monte
Serrat
Santos/SP
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