COMPROMISSOS DO SETOR

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

TEMA 14 – Dezembro (dia 30) / 2016 AMOR CONJUGAL – Algumas reflexões (Continuação)

Sexto Capítulo – Uma Nova Espiritualidade
Por ocasião do V centenário da Evangelização da América, ao receber os superiores maiores das várias ordens carmelitas, masculinas e femininas, o Papa João Paulo II afirmou um alerta importante, não apenas surpreendente, mas também de profundo alcance:
            “No mundo inteiro existe uma enorme necessidade e um forte desejo de uma nova espiritualidade. Os sinais tradicionais da presença de Deus já não conseguem comunicar sua mensagem. O desafio é este.” (L’Observatore Romano, n. 44, 1/11/1992, p. 4 [540])
            Essa declaração está alicerçada em estatísticas promovidas pelos órgãos da mais indiscutível seriedade, reveladoras de pronunciado esvaziamento dos católicos, praticantes ou não, em benefício de outras comunidades cristãs.
            Será que não ansiavam por uma espiritualidade mais concordante com a vida concreta, menos abstrata, mais dinâmica, menos artificial, mais existencial, menos clerical, mais adequada à maneira de viver do povo comum, menos cheias de práticas, regras e devoções, divorciadas da realidade vivencial dos problemas do dia a dia? Uma espiritualidade nova, mais viva daquela em que foram educados, como diz o casal autor (p. 70)?
            O carismático fundador do nosso Movimento, o Pe. Henri Caffarel, já dizia:
            “É desastroso que se acredite que existam duas categorias de cristãos: uns, os religiosos e sacerdotes, chamados à perfeição, e os outros, casados, aos quais só se pede que levem uma vida assim chamada de honesta.”
            Como lembra o Pe. Caffarel, “todos nós fomos formados em uma espiritualidade monacal e de celibatários”, o que certamente levou muita gente a “julgar que a espiritualidade dos casados consiste em acrescentar na vida do casal certos elementos ou práticas religiosas, mais ou menos presentes na tradição da Igreja”, como pondera Frei Almir Guimarães, OFM, acostumado há muitos anos a trabalhar com casais.
            Essas práticas, devoções, rezas, atos, por mais piedosos que sejam, não levam em consideração, entretanto, esta realidade nova, sacramentada, o casal. É evidente, além do mais, que a desejada “espiritualidade nova” considere o estado de vida da maior parte do povo fiel, que, ao invés de optar pelo estilo de vida religioso, sentiu que sua vocação era receber o sacramento do matrimônio.
            “A Revelação cristã conhece dois modos de realizar a vocação da pessoa humana em sua entrega total ao amor: o matrimônio e a virgindade, como dispôs a ‘Familiaris Consortio” (FC 11).
            A “Gaudium et Spes”, do Vaticano II, declara expressamente:
            “São como que consagrados, por um sacramento especial, ao estilo de vida que lhes é próprio, aquele que decorre do casamento” (GS 48/351).
            Agradecendo a Nossa Senhora sua proteção, sempre lembrando que “... sem mim nada podeis”. (Jo 15,5)
Idalina e Fernando
Equipe de Nossa Senhora do Monte Serrat
Santos/SP

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