Algumas reflexões (Continuação)
Terceiro Capítulo – Homem e Mulher, Deus os criou
Este assunto foi desenvolvido
anteriormente no TEMA 5 – Agosto / 2016. Para evitar uma repetição
desnecessária, tomamos a liberdade de convidar os caros leitores a recorrer ao
citado “tema”.
Quarto Capítulo – O Matrimônio é um
sacramento bem conhecido
1.
O
casamento: um pouco de sua história
O
conhecimento que em geral se tem da união matrimonial é aquela cerimônia
festiva, com a igreja toda enfeitada, transbordando de gente vestida com o seu
melhor, com as senhoras ostentando os trajes de última moda e penteados que
exigiram horas no salão de beleza... e, ao final, os acordes da marcha nupcial.
Será que é
isso o matrimônio? É hora de procedermos à retrospecção histórica do casamento.
Iniciamos dizendo que não foi a Igreja nem Jesus Cristo que inventaram o
casamento, pois ele existe desde a origem do mundo, como visto no terceiro tema
ao tratarmos de “ish” e “ishsha”.
Pensemos
um pouco: como se realizava o matrimônio no começo da vida da Igreja? Há uma
célebre carta, escrita por volta do ano 150 d.C., para um destinatário de nome
Diogneto, por autor desconhecido, e em certo trecho do documento diz que “os
cristãos não se distinguem dos outros homens, nem pelo país, nem pela
linguagem, mas pelos costumes: casam-se
como todos os outros. Assim sendo, casaram-se seguindo o que prescrevia a
legislação do Império Romano, isto é, contraíam o matrimônio apenas no civil,
diríamos atualmente em solenidade de caráter familiar. Imagina-se que o evento
fosse acompanhado de orações pedindo a bênção de Deus sobre o casal, mas sem um
rito formal. Teria sido assim, durante os três primeiros séculos da Igreja.
No Sínodo
na cidade de Elvira, no ano 306, a questão do matrimônio foi tratada pelos
bispos presentes. E os padres sinodais decidiram que “os casamentos dos cristãos batizados fossem celebrados como os dos
pagãos não batizados” (Cânon 54).
Mais tarde
um pouco, no ano 380, um Édito do imperador Teodósio tornou o cristianismo
religião oficial do Império. Não foi fixado, entretanto, um rito próprio para o
casamento. No século XI é que os teólogos iniciaram uma discussão para se
decidir se o casamento para ter um
sentido cristão era necessário a presença do clero na cerimônia. E surgiu a
questão básica: o matrimônio é um sacramento? Fundamentado em argumentos de
teólogos famosos, como Santo Alberto Magno e seu discípulo São Tomás de Aquino
e São Boaventura, o Concílio de Florença, reunido em 1442, proclamou a
sacramentalidade do matrimônio.
O célebre
Concílio de Trento (1545 – 1563) incluiu o matrimônio na lista dos sete
sacramentos. Fica a pergunta formulada pelo nosso casal narrador (EB & LM):
E o Concílio Vaticano II avançou na matéria? Sim, como se verá, diremos nós.
2.
A visão
sacramental
Apenas por
uma questão didática, recordaremos o que são sacramentos como aprendemos quando
nos preparamos para a primeira comunhão: “são sinais sensíveis e eficazes da
graça instituídos por Cristo”. Sinal é tudo aquilo que faz lembrar ou
representar algo. É sempre alguma coisa que se pode ver, ouvir ou tocar.
Depende, porém, da maneira como a consideramos. Nas religiões, o sinal sensível
carrega o significado para nos levar a um mundo insensível, além das aparências,
da capacidade humana limitada pelos seus sentidos, permitindo nos levar a um
mundo mais alto, o da vida divina.
Como
aprendemos na catequese, para se ver além é preciso a luz da fé infundida pelo Espírito Santo; é um dom gratuito que
nos permite participar da vida divina.
Pergunta-se:
que realidade se escondeu atrás dos sinais sacramentais? Cada um deles tem um
significado próprio, de modo que nos propiciem uma graça, isto é, a força
divina para que a finalidade do sacramento, expressa pelo sinal, seja
alcançada.
No batismo, a água limpa o ser humano de qualquer
falta para torná-lo filho de Deus. O pão e o vinho na eucaristia nos alimentam
para crescermos na vida cristã. Na confissão, as palavras do sacerdote, em nome
da Igreja, absolvem nossos deslizes. Bem, e no matrimônio, qual seu sinal
próprio? Numa época em que muitos noivos dispensam o casamento religioso e se
satisfazem com o casamento civil, vamos insistir no valor profundo do
sacramento no casamento.
Então,
qual o sinal que faz com que algo profundamente natural e praticado pela
humanidade desde as eras mais remotas tornou-se um sacramento? O sinal
determinante dessa aliança é, sem dúvida, a vontade dos noivos de juntarem suas
vidas, fazendo das duas uma única, a do casal. Essa vontade mútua é
manifestada, em público, pelo “sim”
que configura o estabelecimento da aliança, da entrega de um ao outro, na mais
íntima união possível de um homem e uma mulher. Enfatiza-se, nesta
oportunidade, toda a profundidade de uma palavra tão curta e tão significativa
como é o “sim”. Exprime uma capacidade apanágio do ser humano, criado “à imagem
e semelhança de Deus”; o poder de amar. O sim
significa amor.
Agradecendo a Nossa Senhora sua
proteção, sempre lembrando que “... sem
mim nada podeis”. (Jo 15,5)
Idalina e Fernando
Equipe de Nossa Senhora do Monte
Serrat
Santos/SP
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