COMPROMISSOS DO SETOR

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

TEMA 11 – 2016 AMOR CONJUGAL


Algumas reflexões (Continuação)
Terceiro Capítulo – Homem e Mulher, Deus os criou

            Este assunto foi desenvolvido anteriormente no TEMA 5 – Agosto / 2016. Para evitar uma repetição desnecessária, tomamos a liberdade de convidar os caros leitores a recorrer ao citado “tema”.

Quarto Capítulo – O Matrimônio é um sacramento bem conhecido
1.     O casamento: um pouco de sua história
O conhecimento que em geral se tem da união matrimonial é aquela cerimônia festiva, com a igreja toda enfeitada, transbordando de gente vestida com o seu melhor, com as senhoras ostentando os trajes de última moda e penteados que exigiram horas no salão de beleza... e, ao final, os acordes da marcha nupcial.
Será que é isso o matrimônio? É hora de procedermos à retrospecção histórica do casamento. Iniciamos dizendo que não foi a Igreja nem Jesus Cristo que inventaram o casamento, pois ele existe desde a origem do mundo, como visto no terceiro tema ao tratarmos de “ish” e “ishsha”.
Pensemos um pouco: como se realizava o matrimônio no começo da vida da Igreja? Há uma célebre carta, escrita por volta do ano 150 d.C., para um destinatário de nome Diogneto, por autor desconhecido, e em certo trecho do documento diz que “os cristãos não se distinguem dos outros homens, nem pelo país, nem pela linguagem, mas pelos costumes: casam-se como todos os outros. Assim sendo, casaram-se seguindo o que prescrevia a legislação do Império Romano, isto é, contraíam o matrimônio apenas no civil, diríamos atualmente em solenidade de caráter familiar. Imagina-se que o evento fosse acompanhado de orações pedindo a bênção de Deus sobre o casal, mas sem um rito formal. Teria sido assim, durante os três primeiros séculos da Igreja.
No Sínodo na cidade de Elvira, no ano 306, a questão do matrimônio foi tratada pelos bispos presentes. E os padres sinodais decidiram que “os casamentos dos cristãos batizados fossem celebrados como os dos pagãos não batizados” (Cânon 54).
Mais tarde um pouco, no ano 380, um Édito do imperador Teodósio tornou o cristianismo religião oficial do Império. Não foi fixado, entretanto, um rito próprio para o casamento. No século XI é que os teólogos iniciaram uma discussão para se decidir se o casamento para ter um sentido cristão era necessário a presença do clero na cerimônia. E surgiu a questão básica: o matrimônio é um sacramento? Fundamentado em argumentos de teólogos famosos, como Santo Alberto Magno e seu discípulo São Tomás de Aquino e São Boaventura, o Concílio de Florença, reunido em 1442, proclamou a sacramentalidade do matrimônio.
O célebre Concílio de Trento (1545 – 1563) incluiu o matrimônio na lista dos sete sacramentos. Fica a pergunta formulada pelo nosso casal narrador (EB & LM): E o Concílio Vaticano II avançou na matéria? Sim, como se verá, diremos nós.

2.     A visão sacramental
Apenas por uma questão didática, recordaremos o que são sacramentos como aprendemos quando nos preparamos para a primeira comunhão: “são sinais sensíveis e eficazes da graça instituídos por Cristo”. Sinal é tudo aquilo que faz lembrar ou representar algo. É sempre alguma coisa que se pode ver, ouvir ou tocar. Depende, porém, da maneira como a consideramos. Nas religiões, o sinal sensível carrega o significado para nos levar a um mundo insensível, além das aparências, da capacidade humana limitada pelos seus sentidos, permitindo nos levar a um mundo mais alto, o da vida divina.
Como aprendemos na catequese, para se ver além é preciso a luz da fé infundida pelo Espírito Santo; é um dom gratuito que nos permite participar da vida divina.
Pergunta-se: que realidade se escondeu atrás dos sinais sacramentais? Cada um deles tem um significado próprio, de modo que nos propiciem uma graça, isto é, a força divina para que a finalidade do sacramento, expressa pelo sinal, seja alcançada.
No batismo, a água limpa o ser humano de qualquer falta para torná-lo filho de Deus. O pão e o vinho na eucaristia nos alimentam para crescermos na vida cristã. Na confissão, as palavras do sacerdote, em nome da Igreja, absolvem nossos deslizes. Bem, e no matrimônio, qual seu sinal próprio? Numa época em que muitos noivos dispensam o casamento religioso e se satisfazem com o casamento civil, vamos insistir no valor profundo do sacramento no casamento.
Então, qual o sinal que faz com que algo profundamente natural e praticado pela humanidade desde as eras mais remotas tornou-se um sacramento? O sinal determinante dessa aliança é, sem dúvida, a vontade dos noivos de juntarem suas vidas, fazendo das duas uma única, a do casal. Essa vontade mútua é manifestada, em público, pelo “sim” que configura o estabelecimento da aliança, da entrega de um ao outro, na mais íntima união possível de um homem e uma mulher. Enfatiza-se, nesta oportunidade, toda a profundidade de uma palavra tão curta e tão significativa como é o “sim”. Exprime uma capacidade apanágio do ser humano, criado “à imagem e semelhança de Deus”; o poder de amar. O sim significa amor.
            Agradecendo a Nossa Senhora sua proteção, sempre lembrando que “... sem mim nada podeis”. (Jo 15,5)

Idalina e Fernando
Equipe de Nossa Senhora do Monte Serrat
Santos/SP

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