COMPROMISSOS DO SETOR

quinta-feira, 13 de julho de 2017

TEMA 25 – AMOR CONJUGAL – Algumas reflexões
Décimo Primeiro Capítulo – A importância da Comunicação Conjugal (Continuação do Tema 24)


A meditação conjugal mostra-se um meio eficaz na revelação de mim mesmo. Recordar juntos tempos passados pode ser mais que uma simples “hora da saudade”. Fatos passados podem ter ficado registrados mais do que na memória; podem ter ido para o inconsciente. Powell tem razão quando diz; “o importante é saber que aquilo que guardamos no inconsciente é enterrado vivo, não está morto”.
Se não está morto, pode continuar interferindo em minha vida. Voltar, então, ao que passou, ao que me marcou, pode muito bem revelar muito do que sou hoje, de minhas atitudes atuais e das reações que tenho face a certas situações de agora.
Não se pode perder de vista que um diálogo como vimos abordando, franco e natural, realizado em clima de fé, não deixa de ser um modo de viver nossa espiritualidade, “nas realidades normais do amor conjugal natural” (FC13).
O esforço no amadurecimento do diálogo é compensador, quando se consegue exteriorizar os conflitos, partilhar as preocupações e compartilhar as inquietações, debater os dilemas, formular as queixas, apontar as fraquezas que magoam. Não somente nos aspectos, digamos, negativos, mas também as alegrias íntimas, os progressos alcançados, as satisfações obtidas e, acima de tudo, desfrutar do crescimento do amor mútuo.
Outro obstáculo relevante no diálogo é o fato do casal ser constituído por um homem e uma mulher, isto é, por duas psicologias diferentes, donde resultam comportamentos diferenciados, que exigem aprofundamentos. O professor Xavier Lacroix, escritor admirável, professor de Teologia e pai de família, organizou uma publicação cujo título é significativo: Homem & mulher – a inapreensível diferença. Traduzindo em miúdos: a diferença de difícil entendimento. Em outras palavras, nunca esquecer que o amor é fruto de um profundo diálogo, entre o que é oferecido de graça e respondido com o esforço pessoal.
Mais uma barreira ao diálogo: o machismo. É próprio da natureza do homem. Vários textos do Antigo Testamento mostram o lado masculino exagerado de alguns autores, embora inspirados. Se é universal no tempo, também o é no mundo.
Um exemplo: o jornal The Times, edição de dezembro de 2002, contém um artigo reproduzido pelo jornal O Estado de S. Paulo, com trechos da entrevista dada por Ludmila sobre seu marido Vladimir Putin, classificado por eles como “autêntico exemplar do machista”, porquanto o presidente russo segue as duas regras de ouro dos homens em seu pais: “cabe a elas executarem todas as tarefas domésticas” é a primeira. A outra: “você jamais deve elogiá-las; caso contrário, as estraga”.
Diríamos nós, em defesa do presidente, que, se ele não se opôs à entrevista, ele não é tão machista assim como diz ela... Independentemente da entrevista, entretanto, é aconselhável que os maridos se examinem se não são outro Putin, o que dificultaria qualquer tentativa de diálogo.
Outro aspecto da questão: a autorrelação. O abrir-se ao outro não é fácil. Este assunto já vimos anteriormente (Tema 19), quando abordamos em 2. Descobrir o outro, o sugestivo título que John Powell, SJ, deu a um de seus livros: Why am I afraid to tell you who I am? (Por que tenho medo de contar a você quem sou eu?). Na ocasião, procuramos esclarecer o assunto.
Há, entretanto, uma faceta do problema sobre a qual gostaríamos de dizer alguma coisa: o “jardim secreto”. É uma parte de nós mesmos guardada a sete chaves, repositório de meus segredos e de ideias bem guardadas, que cada um as mantêm bem protegidas. Mantê-lo indevassável, conservá-lo como propriedade inalienável, em maior ou menor intensidade, é próprio de cada um, até porque na maior parte das vezes não temos domínio e escapa da responsabilidade sobre sua origem. Pensamos ser normal. Quando, porém, apreciamos cultivá-lo e aumentá-lo, guardando-o fechado, vemos egoísmo nessa atitude.
Não paremos por aqui. Os pensamentos de Powell vão mais longe. Enfatizemos, porque é merecida, uma de suas frases: “Quaisquer que sejam meus segredos, lembre-se, quando eu os confio a você, eles são parte de mim.”
Porque é de vital importância para o casal. Não apenas em virtude de a “comunicação ser essencial para continuar amando”, mas porque, em uma visão cristã, as palavras ora transmitidas são, em termos de relacionamento, uma aplicação concreta da lição do Mestre: Não há maior prova de amor do que dar a vida pelo outro (Jo 15,13). Assim, ao confiar ao cônjuge um segredo meu, algo que vem do mais íntimo de mim mesmo, de meu “jardim secreto”, estou confiando a ele “uma parte de mim”, dando-lhe um pouco de minha própria vida.
Encerrando. O que os bispos da América Latina disseram na Conferência de Santo Domingo:
O matrimônio é um sacramento em que o amor humano é santificante e comunica vida divina por obra de Cristo” (n. 213).
Agradecendo a Nossa Senhora sua proteção, sempre lembrando que “... sem mim nada podeis”. (Jo 15,5)
Idalina e Fernando
Equipe de Nossa Senhora do Monte Serrat

Santos/SP

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