TEMA 24 – AMOR CONJUGAL – Algumas reflexões
Décimo Primeiro Capítulo – A importância da Comunicação Conjugal
Inicia o casal autor (p. 137) repetindo a já conhecida citação do Papa João Paulo II: “Para conhecer o pensamento de Deus sobre o casal, é preciso buscá-lo nos dois primeiros capítulos do Gênesis.” Atendendo ao ensinamento do Santo Padre, encontramos: “O homem e a mulher estavam nus, mas não se envergonhavam” (Gn 2,25).
Por que a narrativa destaca essa situação “não se envergonhavam”? Para mostrar que eram totalmente transparentes, sem qualquer reserva que os impedisse de enxergar o outro tal como o outro era, em sua integridade, “sem reservas, sem coberturas, sem disfarces nem máscaras, numa plena e total revelação de um para com o outro” (Castro, Pe. Flávio Cavalca).
A comunicação entre ambos era perfeita: um sabia o que o outro pensava, gostava ou queria; enxergavam-se mutuamente como eram, sem se envergonhar com o que poderia parecer fraqueza ou deficiência do outro e muito menos porque se viam diferentes no sexo: “e os criou macho e fêmea, abençoou-os e lhes disse: sede fecundos” (Gn 1,27-28).
Amor conjugal. É um “mysterion”, como já vimos anteriormente (Tema 16). É um puro dom, gratuito e como dizia o Apóstolo Paulo sobre os dons, “escondido desde toda a eternidade em Deus que tudo criou”. Além do mais, entre todos os seres vivos, é apanágio do ser humano o atributo da liberdade (livre arbítrio).
Decorre dessa maravilhosa prerrogativa, uma consequência de excepcional relevância: ao ser humano cabe aceitar ou recusar o dom amoroso concedido por Deus Pai. Continua o esclarecimento. A aceitação não consiste em apenas dizer “quero”, “aceito” ou até mesmo “obrigado”. Deus se manifesta a todo instante, no decorrer da vida, em qualquer situação, seja adversa ou favorável. Em outras palavras, o amor humano acompanha as regras e costumes da vida social, às leis físico-psicológicas que orientam a conduta dos dois que se amam, seguindo as influências da educação e nível cultural de cada um.
E a melhor atitude dos amantes de agradecimento a Deus criador é procurar cooperar com a ajuda divina – a graça – gratuitamente concedida. Nesta oportunidade, o casal autor (p. 140) lembrou-se do sempre festejado sacerdote e psicólogo jesuíta americano, Pe. John Powell, que assim colocou: “A comunicação é a própria essência do amor. É o segredo de continuar amando.”
Em decorrência, podemos dizer que o esforço de comunicação entre os esposos é um modo excelente de agradecer a Deus. Claro que aqui não estamos referindo-nos a uma comunicação qualquer. Afinal de contas, uma conversa banal sobre trivialidades ou notícias do jornal não deixa de ser uma maneira de comunicar-se. Como também é uma forma de comunicação o diálogo do dia a dia, a hora das refeições, o diálogo sobre os problemas de casa ou dos filhos na escola.
Mais adiante esclarece: “A comunicação ditada pelo amor é a que encerra uma doação, a entrega ao outro de algum sentimento, de uma alegria, de uma preocupação, de uma recordação que nos é intrínseca. É uma doação porque estão transmitindo um pouco de mim mesmo, entregando algo que é meu, que guardo no recôndito de mim mesmo, que ninguém é capaz de conhecer, salvo se eu abrir minha alma.”
A propósito do tema, o casal autor, depois de dizer modestamente não ser psicólogo nem conselheiro espiritual, com o que não concordamos tendo em vista sua competência e experiência de vida exaustivamente demonstradas, passa a narrar episódios por ele vividos. Inicia por um original retiro, realizado às margens do rio Tapajós, local de recolhimento ideal, dificilmente imitado.
Acomodaram-se em uma pousada simples, mas confortável, erguida no meio da esplendorosa floresta amazônica, cujo silêncio profundo convida à reflexão. O “pregador”, como foi chamado o tão citado John Powell, SJ, foi representado pelo livro Decifrando o enigma do eu, de subtítulo Em busca da autodescoberta. Uma das constatações é que o marido é o canal preferencial pelo qual o Espírito Santo fala à esposa e ela ao esposo, mostrando aos dois, quer como pessoa, quer como casal, como seguir a vocação a que foram chamados, desde toda a eternidade, agora e para sempre.
Instalados naquela imensidão do Amazonas, para não perder o contato com a Igreja, sem possibilidade de missa, o casal recorreu à oração oficial, a “Liturgia das Horas”, o antigo breviário. É a recomendação do Concílio aos leigos que também recitassem o “Ofício Divino” (Constituição Sacrosantum Concilium 100/688), repetido pelo papa em sua Carta Apostólica Novo Millenium Ineunti, 34. Ao mesmo tempo com a sensação de isolamento diante daquela imensidão primitiva, percebiam todo o valor do dogma da “comunhão dos santos”, a eles unidos pela oração.
Cada vez mais sentimos que o diálogo profundo não é nada fácil; é preciso pedir a “força do alto” para o casal realizar uma boa comunicação. Como diz Jesus, “sem mim nada podeis”. Como citado anteriormente, a comunicação exige doação e aí nos deparamos com a inquietante indagação: quem sou eu? Será que me conheço em profundidade? Será que não me julgo melhor do que sou? Ou pior?
Agradecendo a Nossa Senhora sua proteção, sempre lembrando que “... sem mim nada podeis”. (Jo 15,5)
Idalina e Fernando
Equipe de Nossa Senhora do Monte Serrat
Santos/SP
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