Décimo Capítulo – A Espiritualidade dos Casados: Como vivê-la? (Continuação do Tema 22)
- Ainda a máxima densidade sacramental
O tema do relacionamento sexual do casal sempre desperta um interesse diferente pela profundidade de sua repercussão. Frequentemente é mal desenvolvido ou por pessoas que não viveram essa grande realidade ou, se a viveram, a viveram muito mal, sem alcançar a grandeza que existe “desde o princípio”, ou por uma visão patológica haurida em fonte contaminada.
Frequentemente é de uma pobreza lamentável, reduzindo o ato a seu aspecto meramente animal-biológico: a cópula resume-se à ejaculação do esperma no interior da vagina para que o espermatozóide, penetrando o óvulo, dê origem ao filho. O encontro sexual é o momento do supremo diálogo e a culminância da expressão amorosa, como nos diz o casal autor (p. 129). Diálogo supremo porque os dois até se encontram, entregues um ao outro na realidade do que são, e porque arrebatada à intensidade prazerosa do paraíso. O caminho, entretanto, para chegar a tão emocionante e atrativo objetivo não é fácil, aliás, nada fácil, porque embora siga por terrenos indicados pela natureza, não se vence sem esforço, paciência e dedicação.
Os meios de comunicação como o cinema, a televisão e certa literatura exercem uma influência distorcida da realidade. Apenas um encontro e logo estão os dois artistas agarrados em beijos ardentes e abraços apertados. Tudo assim de imediato, logo na primeira vez, sem qualquer dificuldade embaraçando o êxito da conquista. A juventude influenciada por esse modelo imagina que a cópula amorosa é a coisa mais fácil que há, bastando que o parceiro “tope” o convite e lá vão os dois para o paraíso...
A verdade é que o “ajustamento sexual”, tratado amplamente por sexólogos e psicólogos, é omitido pelos responsáveis dos filmes e telenovelas. Tal aspecto, considerado como inexistente, acaba como causa de desencantos, frustrações e tantos desajustes psíquicos. O casal que realmente se ama sabe que não é assim. O encontro sexual é a culminância de um esforço, de um aprendizado exigente.
O cristão deve crer no sacramento. Repetir o “sim” da liturgia do casamento é repetir o “sinal sensível eficaz” que o caracteriza, é fazer com que a graça prometida por Deus atue, fecundando o empenho do casal para o crescimento do amor que os une. O consórcio dos dois sexos, como diz o casal autor (p. 131), é complexo. Movimenta todo o ser, ativando glândulas, descarregando hormônios, despertando neurônios, suscitando reações psicológicas, envolvendo, enfim, a unidade ontológica corpo-alma.
O bom relacionamento sexual exige, dentre muitos atributos, um que se deve destacar, uma larga dose de domínio de si mesmo. Principalmente dos homens, embora não apenas deles. Estamos falando dos estímulos sexuais do homem e da mulher e suas diferenças. O homem, geralmente, excita-se com bem pouca coisa. Já a criatura feminina demora muito mais para “acender” seu desejo. Necessita todo um envolvimento sentimental: olhares amorosos, palavras doces, carinhos com muita delicadeza.
As curvas de excitação são diferentes, portanto. Enquanto no homem é mais rápida, na mulher é mais lenta para atingir o ápice, podendo, entretanto, ser mais duradouro que no parceiro. A desejada harmonia exige, portanto, uma contínua vontade de descobrir o outro no que ele tem de mais seu, do que lhe é mais característico, de seu íntimo mais profundo, de seus anseios mais reservados. Os cônjuges que assim se empenham estão fazendo crescer o amor, de tal modo que o hoje seja melhor que o ontem e que o encontro suave e maduro de agora seja mais completo, profundo e satisfatório que a ansiedade da lua-de-mel propiciou.
Nunca é demais insistir que, nesse árduo caminhar, nenhum casal cristão está só. Cristo está com ele. Marcha junto, amparando-o, socorrendo-o, dando-lhe forças para vencer os momentos de tormenta, desarmar os preconceitos, eliminar os tabus. Cristo caminha junto com cada casal pela ação do sacramento do matrimônio.
As virtudes necessárias são atos de amor e, como tal, são precisamente os “sinais sensíveis e eficazes que produzem a graça”. E como o “específico do matrimônio determina o específico da espiritualidade matrimonial”, como vimos anteriormente, conclui-se que o casal, ao buscar seu ajustamento, nada mais faz do que praticar e viver a espiritualidade conjugal.
E como qualquer um de nós é levado ao casamento pelo grande mistério da atração sexual, que encontra sua plena consumação no encontro sexual, conclui-se que o ato conjugal é o momento da máxima densidade sacramental.
Agradecendo a Nossa Senhora sua proteção, sempre lembrando que “... sem mim nada podeis”. (Jo 15,5)
Idalina e Fernando
Equipe de Nossa Senhora do Monte Serrat
Santos/SP
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