Décimo Capítulo – A Espiritualidade dos Casados: Como vivê-la? (Continuação)
- Um triálogo especial
Vimos tratando da importância do diálogo na vida do casal. Se, entretanto, o assunto do encontro for mais sério, além do dia a dia, como o aperfeiçoamento das virtudes e correção dos defeitos, então precisará de outros recursos para atingir o objetivo.
Sabemos, como insiste o Concílio, que todos fomos chamados a uma vida santa. Mas como alcançá-la? Lembramo-nos, ao percorrermos este caminho, do “Livro da Sabedoria” do rei Salomão, que já dizia 500 anos antes de Cristo:
Qual o homem que pode conhecer os desígnios de Deus? Ou quem pode imaginar o que o Senhor deseja? Os pensamentos dos mortais são tímidos e nossos raciocínios falíveis. Com muito custo podemos conhecer o que está na terra. Quem poderá conhecer teus projetos se Tu não lhe deres a sabedoria, enviando do alto teu Espírito Santo? (Sb 9,13-18).
Para encontrar seu caminho, o casal precisa de fé, este dom gratuito do Espírito Santo. Para isso, deve encontrar meios e reservar tempo para poder descobrir o que Deus pretende dos dois na vida concreta que levam. O Movimento das Equipes de Nossa Senhora propõe um modelo, extremamente eficaz, comprovado por inúmeros casais de todo o mundo, literalmente falando: é o “dever de sentar-se”. Embora estranho, foi inspirado no Evangelho de Lucas: Quem de vós, querendo construir uma casa, primeiro não se senta para calcular as despesas e ponderar se tem com o que acabá-la?
Assim também o casal, uma vez por mês, deve reservar “o tempo necessário para um verdadeiro diálogo conjugal, sob o olhar do Senhor, para fazer um balanço da própria vida” e, a partir dele, procurar descobrir o que Ele quer do casal dali para frente. É recomendável o encontro ser precedido de uma oração, que seria como que um convite para que Ele também participasse; de tal sorte que não seria mais que um simples diálogo, mas de um encontro a três, isto é, a mulher, o marido e o Senhor. Seria um triálogo.
- Uma parada importante
As Equipes de Nossa Senhora constituem um movimento de espiritualidade conjugal. Sua Carta Fundacional sabe que os casais necessitam de diversos meios para atingirem o seu fim, meios que devem ser devidamente dosados. Acabam de ver a necessidade do “dever de sentar-se” para correções de rumo de curto prazo, bastando um encontro mensal.
Tais decisões, porém, só têm sentido se estiverem inseridas em programas mais abrangentes, que resultem de uma análise global do que se passou no período anterior e o que se projeta para novos objetivos. A seriedade do pretendido exige também uma parada importante, que leve os esposos a se afastarem completamente de seus afazeres e das preocupações com o cotidiano, retirando-se para um ambiente de paz e tranqüilidade, onde o silêncio domine. É o retiro espiritual anual proposto pelo Movimento. Para ter êxito, o retiro deve ser revestido de dois aspectos básicos: respeito ao silêncio e discernimento dos temas.
Quanto ao silêncio, não há necessidade de se dizer que deve ser entre os participantes e não entre marido e mulher. Pelo contrário, do retiro deve resultar um programa futuro estabelecido entre eles, na intimidade do recolhimento de ambos.
Outro equívoco lamentável é confundir retiro com sessões para discussão de temas, por mais importantes e atuais que sejam. O retiro pedido pela espiritualidade conjugal é o lugar para o casal encontrar Deus. Deve procurar descobrir qual o “mistério” que está reservado para os dois, desde antes de o tempo existir.
- O jardim, a elegância, a paciência, o sorriso
Um pouco do dia a dia. A santidade do casal é feita pela vivência do “amor natural”. Duas atitudes básicas devem orientar nossos atos:
- A busca da unidade exigida pelo amor supõe a constante preocupação de um pelo outro.
- A prática das virtudes deve ser vivida no e pelo casamento.
Apenas exemplificando. A esposa que se esforça para agradar os convidados, cuidando minuciosamente dos detalhes, das iguarias, da ornamentação do ambiente está vivendo o “amor natural”. O esposo que reconhece a dedicação da esposa e a elogia está vivendo o “amor natural”.
O esposo que pede a Deus a paciência necessária para não “estourar” devido ao atraso da esposa, provocado por exagerada preocupação com a elegância, está vivendo o “amor natural”. Tem o reverso da medalha. A esposa que suporta pacientemente a injusta implicância do esposo com seus cuidados com a maquiagem está vivendo o “amor natural”.
Agradecendo a Nossa Senhora sua proteção, sempre lembrando que “... sem mim nada podeis”. (Jo 15,5)
Idalina e Fernando
Equipe de Nossa Senhora do Monte Serrat
Santos/SP
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