TEMA 06 – Carta Encíclica do Papa Bento XVI (Continuação)
9. Jesus Cristo: o amor encarnado de Deus
Jesus
é o Filho de Deus, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade. Numa prova de
extrema humildade, usando uma expressão muito apreciada pelo SS Padre, em
várias passagens de suas lições, veio dar corpo
e sangue, em seu pleno sentido, ao que já fora ensinado no Antigo
Testamento. Como já vimos anteriormente no TEMA 3 (Julho de 2016), o núcleo da fé cristã distinguiu-se do núcleo da fé de Israel, pelo acréscimo
dado: Amarás o teu próximo como a ti
mesmo, ensinado por Jesus e, como continua ser divino, embora assumindo
totalmente a criatura humana, menos no pecado, conclui-se que o título do
presente capítulo é verdadeiro, isto é, Jesus
Cristo é o amor encarnado de Deus.
Não
nos trouxe doutrinas teológicas acessíveis apenas a mestres eruditos, mas veio
nos instruir a agir, a superar as fraquezas, dando-nos lições simples,
compreensíveis a todos os seres humanos, independente do título que possuam.
Quem não entende quando em suas palavras dramáticas, se refere ao próprio Deus
que vai atrás da “ovelha perdida” (Mt 18,12), representando a humanidade
sofredora e transviada, ou do pai que vai ao encontro do “filho pródigo” (Lc
15,11) e tantas outras?
O
ápice, entretanto, a prova de amor mais radical vamos encontrar na cruz, pois
prova de amor maior não há do que dar a vida pelo irmão. SS então confessa que o olhar fixo no lado trespassado de Cristo,
de que fala João (19,37), compreende o que serviu de ponto de partida a esta
Carta Encíclica: “Deus é Amor” (1 Jo 4,8). É lá que esta verdade pode ser
contemplada. E começado de lá, pretende-se agora definir em que consiste o
amor. A partir daquele olhar, o cristão encontra o caminho do seu viver e amar.
10. Amor a Deus. Primeira objeção de que ninguém jamais viu a Deus – como
poderemos amá-Lo? A segunda: o amor pode ser mandado?
SS trata do tema
contido na fé bíblica com as duas perguntas desafiadoras, como se estivesse nos
examinando para ver se entendemos as lições até aqui desenvolvidas. Mas, diante
de nossa perplexidade, somente agora é que vai esclarecê-las.
Quanto à primeira, não é bem assim, pois Deus
fez-se visível em Jesus, quando enviou seu filho unigênito ao mundo para que,
por Ele, vivamos (1 Jo 4,9). A passagem de Jesus e Filipe é mais do que
elucidativa, é indiscutível, merecendo recordá-la nesta oportunidade.
Depois de Jesus ter
enfatizado exaustivamente sua relação com o Pai, vira-se Filipe e diz: Senhor, mostra-nos o Pai, isto nos basta. Jesus
respondeu: Filipe, há tanto tempo estou
convosco e não me conheceis? Quem me vê, vê o Pai. (Jo 14, 8-9)
Assim, Deus não nos é
totalmente inacessível. Além do mais, não podemos esquecer que nossas
limitações não nos permitem nem mesmo ter ideia do que o ser infinito como é
Deus possa ser, de qualquer modo, plenamente de nosso conhecimento.
Quanto à segunda pergunta, a deixamos para o
próximo mês, Novembro de 2016. Afinal, a carga deve ser ponderada... Concluímos
agradecendo a proteção de Nossa Senhora, a maior conhecedora da espiritualidade
de Jesus, a grande mestra de João, quando moraram juntos em Efeso, o que nos levou
a lembrar quando o discípulo nos diz “...
sem mim nada podeis.” (Jo 15,5)
Idalina e Fernando
Equipe de Nossa Senhora do Monte
Serrat
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