COMPROMISSOS DO SETOR

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Reflexões de um nonagenário

TEMA 03 –  Julho / 2016 - Carta Encíclica DEUS É AMOR – SS Papa Bento XVI
1. Introdução
SS Bento XVI inicia sua Carta expondo, em linhas gerais, o seu objetivo. Nós nos fixaremos apenas na Primeira Parte, porque, embora mais especulativa que a Segunda, é mais condizente com a nossa proposta. SS deseja mostrar o nexo intrínseco do Amor a Deus, ainda que misterioso e gratuito, com a realidade do amor humano.
Sendo Deus criador de todas as coisas visíveis e invisíveis, também criou o amor humano e, assim sendo, esse amor tem que estar contido nas Sagradas Escrituras, das quais é profundo mestre. Daí iniciar sua exposição pelo “começo”, que é o Antigo Testamento, pelo núcleo da fé de Israel: Escuta, ó Israel! O Senhor, nosso Deus, é o único Senhor! Amarás ao Senhor teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças. (Dt 6,4-5)
A vinda de Jesus em pessoa, encarnado – em carne e osso, em toda a força dessa expressão -, deu uma vida nova ao ensinamento de Israel. Fez um único preceito, unindo o mandamento de amor a Deus com o do amor ao próximo, núcleo da fé cristã: Amarás o teu próximo como a ti mesmo, como já constava em Levítico (19,18) do Antigo Testamento e, posteriormente, em Marcos (12,29-30), já então no Novo Testamento.
2. Um problema de linguagem
    O tema da Encíclica se concentra na questão da compreensão e da prática do amor nas Sagradas Escrituras. Há necessidade, porém, de diversas considerações gerais, pois a palavra “amor” é empregada em muitas situações: amor à Pátria, amor à profissão, amor entre amigos, amor entre pais e filhos, entre irmãos e familiares, amor ao próximo e amor a Deus. Há, porém, um que nos empolga e como que ofusca os demais: é o amor entre o homem e a mulher. Surge, então, a pergunta: toda sua diversidade exprime uma só realidade ou são de fato totalmente diferentes?
3. “Eros” e “Ágape” – diferença e unidade
    No vocabulário grego encontramos três palavras relacionadas com o amor: “Eros”, “philia” (amor de amizade) e “ágape”. Na Grécia antiga, a primeira exprimia o amor entre o homem e a mulher, que não nasce da inteligência e da vontade, mas de certa forma impõe-se ao ser humano (o grifo é nosso). A “philia” foi abordada no Evangelho de João com um significado mais profundo, para exprimir a relação de Jesus e seus discípulos. Algo de essencial e próprio na compreensão do amor se exprimiria pela palavra “ágape”, na nova visão do amor pelo cristianismo, juntamente com a marginalização da palavra “eros”. A partir do Iluminismo, esta conceituação foi severamente criticada. Entenderemos essa atitude se recordarmos que o Iluminismo é uma doutrina filosófica do século XVIII, oposta a todas as formas de dogmatismo, especialmente políticas e religiosas.
    Prosseguiremos no Tema 4 próximo, agradecendo a Nossa Senhora sua proteção, lembrando que “... sem mim nada podeis”. (Jo 15,5)
Casal Idalina e Fernando
Equipe de Nossa Senhora do Monte Serrat – Santos (SP)

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